sábado, 23 de maio de 2015

O PENSAMENTO SECULARISTA E SEU FRACASSO



18  Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus.
19  Pois está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios e aniquilarei a inteligência dos instruídos.
20  Onde está o sábio? Onde, o escriba? Onde, o inquiridor deste século? Porventura, não tornou Deus louca a sabedoria do mundo?
21  Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação.
22  Porque tanto os judeus pedem sinais, como os gregos buscam sabedoria;
23  mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios;
24  mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus.
25  Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens.
26  Irmãos, reparai, pois, na vossa vocação; visto que não foram chamados muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos de nobre nascimento;
27  pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes;
28  e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são;
29  a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus.
30  Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção,
31  para que, como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor (1 Co 14.18-31).

Introdução

Qual é o pensamento secularista? A de conceber uma suposta autonomia do ser humano e elevar a ciência como senhora de todas as respostas. Com todo o seu egocentrismo, o ser humano achou que conseguiria uma vida independente e feliz sem Deus e depositou na ciência a esperança de conseguir as respostas para as perguntas primordiais de sua existência.
Após décadas de atividade desse pensamento, o cristão finalmente pode chamar a atenção da sociedade à realidade do fracasso das filosofias da cosmovisão secular, porque elas falharam ao não apresentarem respostas para a existência humana e para os variados problemas dos seres humanos, antes vindo a acentuar ainda mais as suas mazelas. Mas apesar de seu fracasso, o pensamento secularista continua em vigência, tentando ludibriar as pessoas com a ideia de que o ser humano é autossuficiente e de que a ciência ainda encontrará todas as respostas para ele.
Talvez esse fracasso pudesse significar alguma vitória para a cosmovisão cristã bíblica, mas infelizmente não. As pessoas nunca deixam de praticar alguma religiosidade em busca de Deus. E o ser humano jamais conseguirá aquietar o seu coração enquanto não descansar em Deus. Entretanto, os caminhos da religiosidade do ser humano e da busca verdadeira a Deus são opostos, de forma que ele jamais conseguirá chegar até Deus pelo caminho que segue, com suas vãs filosofias.
A cosmovisão secular, em resposta ao seu colapso, sofre uma transformação. E assim como em sua formação, uma cosmovisão não é substituída de forma automática, mas ela sofre desgastes e sua alteração vai sendo gradual. Nesta lição vamos analisar os estágios de transformação da cosmovisão secular com seu pensamento antropocêntrico em face ao seu fracasso.

01 – O SÉCULO XX E SEUS DEUSES

O século XX foi o berço do desenvolvimento do materialismo secularista. Este desenvolvimento ocorreu de forma gradual, através da inserção de valores que dominaram a mentalidade moderna, sendo eles: a ciência, a tecnologia e a economia. Estes valores foram tão admiráveis ao ser humano a ponto de se tornarem em deuses para a humanidade.

A – Século XX, o século da ciência

O século XX começa com um desenvolvimento surpreendente da ciência após a febre do cientificismo dos séculos XVII a XIX, e o homem começou a entender que a ciência estava se desenvolvendo a ponto de oferecer todas as respostas para a vida humana. A confiança do homem moderno na ciência cresceu tanto que ela se tornou em um deus para ele, o qual passou a ser movido pela chamada “certeza cientifica”, segundo a qual, tudo que é “comprovadamente científico” é digno de confiança.
Como a fé e seus milagres não podem ser comprovados cientificamente, eles foram bombardeados pelos adeptos do pensamento secularista. E como resultado disso pode-se notar o alto grau de apostasia nos tempos modernos. Podemos comparar este mal com outro que ocorreu com Israel e que foi digna de exortação:

1  Ai dos que descem ao Egito em busca de socorro e se estribam em cavalos; que confiam em carros, porque são muitos, e em cavaleiros, porque são mui fortes, mas não atentam para o Santo de Israel, nem buscam ao SENHOR (Is 31.1)!

A ciência se tornou o grande paradigma do homem moderno, um dos grandes ídolos da sociedade moderna. Essa confiança extrema na ciência gerou um exacerbado orgulho humano e o fez cair em um erro gravíssimo:

5  Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, faz da carne mortal o seu braço e aparta o seu coração do SENHOR (Je 17.5)!

Este foi o principal erro do pensamento secularista, um erro que persegue a humanidade desde a sua queda lá no Jardim do Éden, o de deixar de confiar em Deus, Seu Criador, e achar que consegue achar o caminho de volta sem Ele, através de suas próprias filosofias que nada mais refletem a não ser as trevas em que se encontra o coração humano.

B – Século XX, o século da tecnologia

O cientificismo do século XX não se desenvolveu só, algo mais acompanhou o seu desenvolvimento, algo que mudaria para sempre a humanidade em sua interação: a tecnologia. Não que sejamos contrários a ela, afinal, ela sempre esteve presente na humanidade, pois o homem não nasceu e nem viveu nos tempos das cavernas (mas é lógico o fato de alguns as usarem como moradia). Logo na sétima descendência de Adão, com os filhos de Lameque, já temos o registro de muitos avanços tecnológicos:

19  Lameque tomou para si duas esposas: o nome de uma era Ada, a outra se chamava Zilá.
20  Ada deu à luz a Jabal; este foi o pai dos que habitam em tendas e possuem gado.
21  O nome de seu irmão era Jubal; este foi o pai de todos os que tocam harpa e flauta.
22  Zilá, por sua vez, deu à luz a Tubalcaim, artífice de todo instrumento cortante, de bronze e de ferro; a irmã de Tubalcaim foi Naamá (Gn 4.19-22).

E ainda podemos mencionar a Torre de Babel, a Arca de Noé, grandes monumentos como as pirâmides do Egito e etc. Em tudo isso a tecnologia esteve presente e ela sempre tem se desenvolvido ao longo dos séculos. A sabedoria tem uma origem:

6  Porque o SENHOR dá a sabedoria, e da sua boca vem a inteligência e o entendimento (Pv 2.6).

Deus foi o criador do homem. Ele foi criado à imagem e semelhança de Deus. Por isso, o homem não precisou passar pelas experiências brutais dos tempos da caverna para chegar ao raciocínio da tecnologia, pois ele não vive por instinto como os animais, mas tem a capacidade de pensar, a capacidade de ser tecnológico.
A tecnologia moderna enfatizou a realização e também se tornou um ídolo para a humanidade, pois consumou a crença do homem de que ele seria capaz de realizar todas as coisas por meio da ciência e da tecnologia. As caravelas, a máquina a vapor, o telégrafo, o telefone, os automóveis, os microchips e etc., são as descobertas que colaboraram para aumentar ainda mais o egocentrismo do homem e o seu senso de autonomia e independência de Deus. Se antes ele já negava a Deus, muito mais o faz nos tempos modernos, porque a tecnologia em nada melhorou o seu coração perverso e exacerbou ainda mais a sua soberba, e a Bíblia diz que:

4  O perverso, na sua soberba, não investiga; que não há Deus são todas as suas cogitações (Sl 10.4).

Não podemos negar os benefícios da tecnologia para a humanidade, o tanto que ela tem facilitado a vida humana e quantas vidas foram e são salvas por ela, mas a tecnologia nunca trouxe tantas más consequências para o ser humano como nos últimos tempos e também nunca deixou o homem tão dependente dela.

C – Século XX, o século da economia

A era industrial foi o resultado prático do desenvolvimento científico e tecnológico e com ela aconteceu uma significativa melhora na condição de vida do ser humano. Isto favoreceu o despontamento de mais um elemento que se tornaria em mais um ídolo da sociedade moderna: o dinheiro. E assim como a ciência e a tecnologia, a riqueza também tomou a proporção de ser a solução para toda a humanidade. O amor ao dinheiro é um antigo ídolo do coração do homem, mas no século XX a riqueza tomou proporções gigantescas, aguçada pela cobiça e ambição do homem, a busca por ela fez muitos a abandonar e a deixar para segundo plano alguns valores absolutos como a família, a fé e a própria saúde.
As respostas aos problemas da humanidade jamais serão encontrados somente na ciência, na tecnologia ou no dinheiro, porque eles não são somente externos, mas são principalmente internos, do coração do ser humano. Com a queda o coração do homem se envolveu em trevas e as trevas de seu coração usaram o desenvolvimento científico para convencer o homem de sua autossuficiência. O desenvolvimento tecnológico, por sua vez, deu a ele um falso senso de poder. Ambos mudaram a esperança do homem e o tornaram essencialmente materialista, negando o valor da eternidade, apegando-se à temporalidade das riquezas.
O mundo globalizado é o mundo da economia, da tecnologia e da ciência. Mas é justamente este mundo globalizado dirigido pela economia que mais gerou distorções e injustiças sociais, além de deixar os seres humanos no vazio, sem direção ou propósito que não fosse o de consumir mais e mais. Nestes pontos podemos fundamentar o fracasso da cosmovisão guiada pela ciência, pela tecnologia e pela economia.

02 – O FRACASSO DO PENSAMENTO SECULARISTA

Em nosso tópico anterior falamos sobre o desenvolvimento do mundo moderno com grandes evoluções na ciência, na tecnologia e na economia, mas acontece que este desenvolvimento não ocorreu em berço esplêndido. O homem sempre cai no abismo das trevas que domina o seu coração. Isso acontece porque ele anda desconectado de Deus.
Embora o século XX tenha sido marcado pelo desenvolvimento, também foi quando a elevada autoestima do homem moderno sofreu um grande abalo, principalmente na Segunda Guerra Mundial, o maior conflito armado da História da humanidade que ocorreu de 1939 a 1945, e neste conflito as grandes potências investiram boa parte dos seus recursos científicos, tecnológicos e econômicos.
O ponto mais assustador dessa empreitada bélica foi o lançamento das bombas atômicas sobre as cidades japonesas Hiroshima e Nagasaki pelos Estados Unidos, ocorrido, respectivamente, em 6 e 9 de agosto de 1945. Como a bomba atômica é um fruto do desenvolvimento cientifico, toda esperança redentiva do homem moderno, que estava depositada na ciência, entra em colapso, comprovando que a ciência, a tecnologia e a economia não conseguiram vencer a malignidade do coração humano, antes, tornaram a humanidade ainda mais egocêntrica e ambiciosa.

A – O fracasso da ciência

Com as novas descobertas do Século XX houve uma revolução no pensamento científico. Percebeu-se, com as descobertas, que não existe verdade absoluta em ciência, como até então se acreditava. Isso é uma marca do século XX. Infelizmente esse conceito ultrapassou os limites da ciência e alcançou a fé e balançou os alicerces das Escrituras Sagradas, mas jamais a derrubou por terra, porque passa as gerações e a verdade de Deus permanece intocável e imutável.
O século XX é um século de paradoxos, palco de uma série de genialidades, mas também de muitos horrores. Apesar dos inegáveis avanços, o homem não conseguiu responder a questões elementares, sendo uma das maiores delas: como ser feliz no curto tempo de vida que se passa na Terra? E o grande desafio é tentar encontrar uma resposta a este dilema: de que forma o homem vai conseguir usar o alto desenvolvimento científico e tecnológico disponível para encontrar a felicidade individual e coletiva? Uma coisa é verdade, distante de Deus a humanidade jamais encontrará esta resposta!
O século XX transformou a vida, o mundo e o conhecimento que deles se tinha. Os especialistas afirmam que, em termos de avanços científicos e tecnológicos, caminhamos mais nos últimos cem anos (especialmente na sua segunda metade) do que em toda a história anterior da humanidade. Graças ao progresso nas comunicações e nos transportes, por exemplo, pela primeira vez o homem teve noção da totalidade do planeta que habita, das diversas culturas, religiões e etnias que nele existe. Esse conhecimento levou a humanidade a uma maior interação, e este nível de integração tem reconfigurado os processos culturais de maneira geral, porque as pessoas têm cada vez maior capacidade de estabelecer intercâmbios.
No século XX ficou evidente a capacidade do homem para criar, descobrir e superar limites. No entanto, ele não conseguiu ainda estabelecer uma relação de harmonia com seu semelhante, pois com todo o progresso conquistado na interação das sociedades em nada aproximou a humanidade de Deus, e nem mesmo extinguiu os seus conflitos étnicos, antes o intensificou; e muito menos encontrou as respostas de seus questionamentos internos. É evidente o fracasso da ciência no pensamento secularista de ser ela a solução dos problemas da humanidade.

B – O fracasso da tecnologia

Dentro dos laboratórios e centros de pesquisa surgiram grandes invenções e descobertas. Elas não se sucederam de forma contínua, dentro de um processo único, mas são os resultados de avanços de conhecimentos acumulados. Algumas descobertas e invenções merecem ser consideradas.
Nas ciências médicas e biológicas, o avanço pode ser medido pelo aumento da expectativa de vida. A descoberta da penicilina foi uma das mais importantes contribuições no campo da Medicina. Os transplantes de órgãos, a descoberta do DNA, as experiências transgênicas com a manipulação de genes, a identificação de doenças hereditárias e a clonagem, são algumas das consequências do progresso da genética.
A invenção do transistor possibilitou enorme avanço, inclusive no âmbito das comunicações e no surgimento do computador. As antes onerosas e enormes máquinas de armazenar e processar informações se converteram em computadores pessoais. E hoje é possível, sem sair de casa, conectar-se com qualquer pessoa no outro extremo do planeta através da Internet. Mas a rapidez dos processos de comunicação acelerou brutalmente o ritmo de vida das pessoas.
São boas descobertas, sem dúvida, mas outras estatísticas mostram que, apesar da melhora, subsistem mazelas incompatíveis com o nível de progresso alcançado pela humanidade. Não obstante a todos os avanços atingidos pela medicina, ainda acontecem mortes por diarréia ou fome e o número de desnutridos crônicos no mundo subdesenvolvido subiu a níveis alarmantes. Doenças consideradas vencidas pelas vacinas surgem em surtos aqui e ali.
E as contradições não param por aí, porque ainda existem bilhões de pessoas que não têm acesso a saneamento básico, que vivem sem eletricidade, que não dispõem de água potável, que não contam com moradia adequada e que não usufruem dos serviços básicos de saúde. Definitivamente, o arsenal de benesses trazidas pela ciência e a tecnologia não puderam extinguir, como se chegou a pensar no início do século, a todos os problemas humanos.
O século XX deixou uma incomparável herança de conquistas técnico-científicas capazes de tornar a vida melhor do que nunca. Só que esse progresso ficou restrito, não alcançando toda a humanidade. O desafio do novo milênio é o de mudar esse quadro de profunda injustiça social, usando as elevadas conquistas do conhecimento para deixar para trás a fome, a violência, o analfabetismo, a mortalidade infantil, os desequilíbrios ambientais e muitas outras misérias que, paradoxalmente, povoaram o século do progresso. Também na tecnologia se vê o evidente fracasso do pensamento secularista, que esperava que ela solucionasse as mazelas da sociedade.

C – O fracasso da economia

Em nenhum outro tempo anterior a humanidade teve tantas possibilidades de realização como no século XX em função do aumento das riquezas. Mas as benesses desta riqueza estão concentradas em algumas regiões do globo terrestre, deixando um considerável número de contingente às margens das mais significativas vitórias do progresso.
As doenças infecciosas e parasitárias, típicas da pobreza, deixam milhões de mortos ao redor do planeta. As taxas de analfabetos de adultos entre os países subdesenvolvidos ainda são altíssimas. A expectativa de vida média em alguns países subdesenvolvidos pode chegar a apenas 28 anos. Se nós vivemos em um tempo marcado por uma hiperevolução tecnológica, era de se esperar que ela trouxesse algumas soluções e desfizesse uma série de nós que afetam a sociedade, mas a expansão tecnológica só reforça a condição das áreas do planeta onde há mais empregos, com maior poder aquisitivo e melhor distribuição de renda.
E o que é inacreditável, embora seja a mais pura verdade, ainda existem milhões de habitantes do planeta os quais vivem com menos de US$ 2 por dia. E o cenário é ainda pior, pois não há condições, dentro do sistema capitalista em que vivemos, de dar a todos os habitantes do planeta o mesmo padrão de vida, por exemplo, dos americanos. Se todos os países fossem consumir a energia que eles consomem, a sustentabilidade da Terra desapareceria.
Portanto, a margem de excluídos é necessidade do próprio sistema capitalista. Por isso que o sistema econômico mundial favorece a exclusão. E a globalização tem sido um instrumento de aprofundamento do fosso que separa os mais ricos e os mais pobres. E tudo isso é consequência de um capitalismo monetarista, cujo único objetivo é o dinheiro, muito diferente do pensamento neoliberalista que tinha a ideia de que, organizando a economia, os outros âmbitos da vida social se arrumariam por si mesmo, mas o Estado capitalista é incapaz de resolver os problemas criados por suas próprias contradições.
Vivemos em uma sociedade anti-humanista. Em um mundo dominado pela ótica de mercado, No mundo atual, as pessoas não se questionam sobre o sentido da vida ou o que é, de fato, a felicidade. Valores como a dignidade, a solidariedade, a fraternidade, o perdão, a coragem e o amor são esquecidos ou postos de lado. Apesar de termos alcançado progressos materiais incríveis nos últimos tempos, o mesmo não aconteceu na área do humanismo. A humanidade inventa remédios para prolongar a vida, mas, na verdade, aos 40 anos, as pessoas já começam a ser descartadas pelo mercado. Também fica em evidência o fracasso do pensamento secularista, que achava que poderia comprar com suas riquezas a felicidade da humanidade.
De fato, as aquisições trazidas pelo progresso técnico-científico mudaram o panorama da vida. O homem aprendeu a voar, a manipular a genética, a curar doenças, a comunicar-se a longas distâncias. O século XX é um tempo de glória da ciência e da tecnologia, que trouxeram tantas possibilidades, que se chegou a imaginar que o homem conseguiria resolver todos os seus problemas. Apesar disso, este século também foi marcado pela destruição produzida, sobretudo por duas grandes guerras, pelo perigo atômico, pela guerra fria, por conflitos étnicos e religiosos, por desequilíbrios econômicos e sociais em várias partes do mundo, e também por um crescente individualismo.

3 – SÉCULO XX E SUAS TEOLOGIAS

Apesar de seu fracasso o homem não abandonou o pensamento secularista, antes tem realizado adaptações na tentativa de acomodá-lo a nova realidade da humanidade.
Toda cosmovisão procura uma teologia que a justifique, quer seja ela uma teologia bíblica, natural, ateísta ou de outra matriz qualquer. Isso acontece porque o homem jamais abandonou a ideia da existência de Deus, pois essa necessidade espiritual faz parte da sua estrutura. Por isso que, mesmo vivendo sob o espírito de um secularismo materialista, o homem não abandona a espiritualidade.
A busca teológica do homem moderno tende a seguir dois caminhos: a negação do cristianismo ou a adequação do cristianismo ao pensamento moderno. E é exatamente isso que podemos notar nas teologias modernas.

A – A teologia secular

No século XX, quando surgiu a teologia liberal, começou a tentativa de adequação entre a teologia cristã e a ciência. A ênfase desta teologia é muito mais científica do que teocêntrica, pois ela propõe uma busca da fé cristã tendo a ciência como a principal ferramenta de avaliação. Significa que aquilo que na fé cristã fosse anticientífico, ou seja, que não pudesse ser comprovado cientificamente deveria ser rejeitado ou reinterpretado.
Uma das propostas de reinterpretação da fé cristã foi defendida pelo teólogo alemão Rudolf Bultmann e ficou conhecida como desmitologização, que é a retirada do que se consideravam mitos na Bíblia. Entram nesta lista os milagres, a encarnação de Cristo, a ressurreição e etc., verdades que são inegociáveis para a fé cristã bíblica. Quanto aos milagres, eles são realizados pela fé e, quanto a fé, a bíblia diz que:

1  Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem (Hb 11.1).

A fé jamais poderá ser explicada pela ciência e seus milagres jamais poderão ser comprovados cientificamente. Os milagres da Bíblia são todos reais e podem até hoje serem alcançados por qualquer cidadão, desde que seja através de seu requisito principal: pela fé. Muitos milagres de Deus têm acontecido no mundo afora, longe do âmbito do nosso conhecimento. E quanto a ressurreição a Bíblia é clara ao dizer:

16  Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou.
17  E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados.
18  E ainda mais: os que dormiram em Cristo pereceram.
19  Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens (1 Co 15.16-19).

E quanto a encarnação de Cristo a Bíblia também diz:

1  Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora.
2  Nisto reconheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus;
3  e todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus; pelo contrário, este é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que vem e, presentemente, já está no mundo (1 Jo 4.1-3).

Os milagres, a encarnação de Cristo e a ressurreição não são mitos, mas são fatos aceitos pela fé, pois não os vimos acontecerem, mas a fé é a convicção de fatos que se não vêem.
O erro da teologia liberal não é o seu apreço pela ciência, mas o fato de ela submeter a verdade bíblica e o próprio Deus ao crivo científico, e Deus não se explica pela ciência, mas se é aceitado e adorado pela fé. Esse erro levou os adeptos da teologia liberal a caminhar na direção dos questionamentos da fé bíblica, e a ficarem a favor de uma teologia secularista.

B – A teologia da Economia

Em um mundo comandado pela economia de mercado surge uma nova proposta teológica com elementos secularistas: a teologia da prosperidade. Esta teologia desejava reascender o valor da fé sobrenatural, entretanto, ao avaliar seus valores, ela tem se revelado em um comportamento antropocêntrico com seu conceito materialista de prosperidade.
Esta teologia se tornou muito comum no meio cristão e deixou a muitos afeiçoados a riqueza. Os valores de Jesus e o que Ele pensava da riqueza estão registrados na Bíblia e sempre devem servir para nós de base. Um bom exemplo é o encontro de Jesus com um jovem muito rico:

20  Replicou-lhe o jovem: Tudo isso tenho observado; que me falta ainda?
21  Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, dá aos pobres e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-me.
22  Tendo, porém, o jovem ouvido esta palavra, retirou-se triste, por ser dono de muitas propriedades.
23  Então, disse Jesus a seus discípulos: Em verdade vos digo que um rico dificilmente entrará no reino dos céus (Mt 19.20-23).

Jesus foi muito duro com aquele jovem ao pedir para ele se desfizer de sua riqueza. Mas será que era realmente isso que Jesus tentava transmitir para aquele jovem e seus ouvintes? Encontramos o princípio que Jesus queria passar em outro texto. Se acharmos um absurdo Jesus pedir para ele se desfazer de sua riqueza, imagine, então, o que acharíamos quando disse:

8  Portanto, se a tua mão ou o teu pé te faz tropeçar, corta-o e lança-o fora de ti; melhor é entrares na vida manco ou aleijado do que, tendo duas mãos ou dois pés, seres lançado no fogo eterno (Mt 18.8).

Mas o problema não está na riqueza, nem nos olhos, pés ou mãos, mas está no coração. É dele que devemos arrancar tudo que nos separa de Deus:

11  não é o que entra pela boca o que contamina o homem, mas o que sai da boca, isto, sim, contamina o homem.
18  Mas o que sai da boca vem do coração, e é isso que contamina o homem.
19  Porque do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias.
20  São estas as coisas que contaminam o homem; mas o comer sem lavar as mãos não o contamina (Mt 12.11,18-20).

Aí está o princípio à que Jesus se referiu ao pedir para o jovem rico se desfizer de sua riqueza e de se amputar algum membro do corpo para se ganhar o Reino dos Céus. Na verdade eles precisam ser arrancados do coração. É ele que precisa de tratamento porque é o coração do homem que está infectado pelo pecado.

C – A teologia hedonista

Promovido pelo sucesso avassalador da tecnologia e seus novos instrumentos de conforto, a modernidade, com a sua ênfase antropocêntrica, sustentou um forte pensamento hedonista que tem o prazer como seu objetivo principal. Esta teologia também ultrapassou os limites do mundo e adentrou nas igrejas cristãs, porque na esteira dessa busca pelo prazer, cresceu uma teologia hedonista nas igrejas com base na ideia de prazer e alegria como mola mestra do entusiasmo cristão e colocou o prazer humano como uma finalidade da fé.
Os resultados dessa teologia foram perdas significativas de valores essenciais da fé cristã com cultos cada vez mais adaptados ao padrão de contentamento dos ouvintes. As pregações da Palavra de Deus nos púlpitos se transformaram em mensagens que soam bem aos ouvidos das pessoas, porque não se devem deixar os participantes dos cultos deprimidos. Os cultos têm sido mais divertidos e atraentes do que reverente, pois a ideia de reverência se tornou irrelevante. Os cultos centrados no adorador não são novidade da modernidade, mas eles sempre foram denunciados como um desvio do propósito da adoração a Deus:

30  Quanto a ti, ó filho do homem, os filhos do teu povo falam de ti junto aos muros e nas portas das casas; fala um com o outro, cada um a seu irmão, dizendo: Vinde, peço-vos, e ouvi qual é a palavra que procede do SENHOR.
31  Eles vêm a ti, como o povo costuma vir, e se assentam diante de ti como meu povo, e ouvem as tuas palavras, mas não as põem por obra; pois, com a boca, professam muito amor, mas o coração só ambiciona lucro.
32  Eis que tu és para eles como quem canta canções de amor, que tem voz suave e tange bem; porque ouvem as tuas palavras, mas não as põem por obra (Ez 33.30-32).

4  Pois certos indivíduos se introduziram com dissimulação, os quais, desde muito, foram antecipadamente pronunciados para esta condenação, homens ímpios, que transformam em libertinagem a graça de nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo (Jd 4).

O erro da teologia hedonista é que ela propõe uma felicidade construída a partir do coração humano e seus critérios, mas as escrituras Sagradas nos ensinam que a verdadeira felicidade está em um contentamento em Deus:

4  Agrada-te do SENHOR, e ele satisfará os desejos do teu coração (Sl 37.4).

27  Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize (Jo 14.27).

Muitos têm buscado a Deus apenas para atender a seus desejos, em busca de prazer e não de agradar-se de Deus. A Palavra de Deus tem as respostas para as ansiedades da humanidade e para as suas necessidades, mas o ser humano, ao invés de buscar na verdadeira fonte, prefere continuar a sua busca frenética em suas vãs filosofias, um mal muito bem expressado nas palavras de Jeremias:

13  Porque dois males cometeu o meu povo: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas (Je 2.13).

Conclusão

É claro que o avanço científico e tecnológico é muito bem-vindo, pois eles realmente têm facilitado o nosso dia a dia e aumentado a produtividade do nosso labor, mas a cosmovisão bíblica entende que todo progresso científico, tecnológico e econômico estão comprometidos com um modelo centrado no homem e que este se recusa a reconhecer a centralidade de Deus na vida da Criação.
O fracasso do pensamento secularista consiste em sua prepotência de achar que conseguiria resolver os problemas da humanidade, mas com o decorrer dos anos o que se pode notar é o aumento crescente de seus problemas e um declínio alarmante da humanidade que caí em um abismo sem fim, efeito direto do pecado na vida humana e da cegueira em que foi encerrada a humanidade. É um dever cristão levar a luz do Evangelho aos que estão nas trevas. Que Deus te abençoe! Amém!

Luiz Lobianco
luizlobianco@hotmail.com