sábado, 17 de setembro de 2016

ESTUDO DO LIVRO DE OBADIAS: II – A HISTÓRIA DE UMA FAMÍLIA E A PERMANENTE MÁGOA DE UM POVO

10  Por causa da violência feita a teu irmão Jacó, cobrir-te-á a vergonha, e serás exterminado para sempre.
11  No dia em que, estando tu presente, estranhos lhe levaram os bens, e estrangeiros lhe entraram pelas portas e deitaram sortes sobre Jerusalém, tu mesmo eras um deles.
12  Mas tu não devias ter olhado com prazer para o dia de teu irmão, o dia da sua calamidade; nem ter-te alegrado sobre os filhos de Judá, no dia da sua ruína; nem ter falado de boca cheia, no dia da angústia;
13  não devias ter entrado pela porta do meu povo, no dia da sua calamidade; tu não devias ter olhado com prazer para o seu mal, no dia da sua calamidade; nem ter lançado mão nos seus bens, no dia da sua calamidade;
14  não devias ter parado nas encruzilhadas, para exterminares os que escapassem; nem ter entregado os que lhe restassem, no dia da angústia (Ob 1.10-14).
Introdução
Na lição anterior estudamos sobre os aspectos do livro de Obadias, sobre o povo de Edom, a quem este livro é escrito, e sobre o povo de Judá. Na lição de hoje vamos ter que voltar ao livro de Gênesis porque, neste livro, está a história e a consequência de um grande erro de uma família, ou seja, o desdobramento de um grande equívoco entre Isaque e Rebeca.
O povo edomita e o povo israelita vieram de um mesmo ventre, de um mesmo ancestral, ou seja, de Isaque e Rebeca. Embora venham de uma mesma família, a convivência dos irmãos gêmeos, Esaú e Jacó, por inabilidade de Isaque e Rebeca, se transforma em um grande ódio, entre dois irmãos, que vem a desaguar em um grande ódio entre duas nações e encontramos o ápice deste ódio no livro de Obadias. Vamos ver como tudo começou:
19  São estas as gerações de Isaque, filho de Abraão. Abraão gerou a Isaque;
20  era Isaque de quarenta anos, quando tomou por esposa a Rebeca, filha de Betuel, o arameu de Padã-Arã, e irmã de Labão, o arameu.
21  Isaque orou ao SENHOR por sua mulher, porque ela era estéril; e o SENHOR lhe ouviu as orações, e Rebeca, sua mulher, concebeu.
22  Os filhos lutavam no ventre dela; então, disse: Se é assim, por que vivo eu? E consultou ao SENHOR.
23  Respondeu-lhe o SENHOR: Duas nações há no teu ventre, dois povos, nascidos de ti, se dividirão: um povo será mais forte que o outro, e o mais velho servirá ao mais moço.
24  Cumpridos os dias para que desse à luz, eis que se achavam gêmeos no seu ventre.
25  Saiu o primeiro, ruivo, todo revestido de pêlo; por isso, lhe chamaram Esaú.
26  Depois, nasceu o irmão; segurava com a mão o calcanhar de Esaú; por isso, lhe chamaram Jacó. Era Isaque de sessenta anos, quando Rebeca lhos deu à luz.
27  Cresceram os meninos. Esaú saiu perito caçador, homem do campo; Jacó, porém, homem pacato, habitava em tendas.
28  Isaque amava a Esaú, porque se saboreava de sua caça; Rebeca, porém, amava a Jacó (Gn 25.19-28).
Havia a predileção dos pais por um de seus filhos, ou seja, cada um amava mais a um de seus filhos. Quando estes dois filhos cresceram, aconteceu algo que demonstrava que havia rivalidade entre os irmãos, provocada, talvez, pela predileção dos pais:
29  Tinha Jacó feito um cozinhado, quando, esmorecido, veio do campo Esaú
30  e lhe disse: Peço-te que me deixes comer um pouco desse cozinhado vermelho, pois estou esmorecido. Daí chamar-se Edom.
31  Disse Jacó: Vende-me primeiro o teu direito de primogenitura.
32  Ele respondeu: Estou a ponto de morrer; de que me aproveitará o direito de primogenitura?
33  Então, disse Jacó: Jura-me primeiro. Ele jurou e vendeu o seu direito de primogenitura a Jacó.
34  Deu, pois, Jacó a Esaú pão e o cozinhado de lentilhas; ele comeu e bebeu, levantou-se e saiu. Assim, desprezou Esaú o seu direito de primogenitura (Gn 29,29-34).
Que irmão! Recusar um prato de comida ao próprio irmão! Conceder um prato de comida por um valor tão alto! Jacó aproveitou o momento de fragilidade para tirar proveito do próprio irmão. Que relacionamento familiar havia nessa história? Para entendermos o livro de Obadias, precisamos entender a história detalhada da família de Isaque, filho de Abraão. Vamos ver com detalhes alguns aspectos desta história:
1 – A LUTA ENTRE OS IRMÃOS DESDE O VENTRE DA MÃE
22  Os filhos lutavam no ventre dela; então, disse: Se é assim, por que vivo eu? E consultou ao SENHOR (Gn 25.22).
A luta entre os Edomitas e Israelitas começou no ventre de Rebeca e lá foi o primeiro campo de batalha entre essas duas nações. Foi lá que começou a surgir um fato que foi culminando cada vez mais em uma inimizade eterna. Este conflito, que começou entre dois irmãos, mais tarde se estendeu entre duas nações. Essa semente minúscula de inimizade vai tornar-se uma grande selva, em um conflito que perdurou por dois mil anos de guerras constantes.
2 – A ESCOLHA SOBERANA E PROPOSITAL DE DEUS
23  Respondeu-lhe o SENHOR: Duas nações há no teu ventre, dois povos, nascidos de ti, se dividirão: um povo será mais forte que o outro, e o mais velho servirá ao mais moço (Gn 25-23).
Aprouve a Deus, por Sua Soberania e Graça, sem nenhum mérito pessoal de Jacó, escolhê-lo para ser a origem de onde surgiria o Messias. Paulo fala em Romanos:
11  E ainda não eram os gêmeos nascidos, nem tinham praticado o bem ou o mal (para que o propósito de Deus, quanto à eleição, prevalecesse, não por obras, mas por aquele que chama),
12  já fora dito a ela: O mais velho será servo do mais moço.
13  Como está escrito: Amei Jacó, porém me aborreci de Esaú (Rm 9.11-13).
Nenhum deles havia nascido ainda, nenhum deles tinha ainda praticado o bem e nem o mal quando a eleição da graça de Deus prevaleceu sobre Jacó. Isso transmite para nós uma lição direta a respeito da doutrina da eleição divina. Não havia mérito nenhum em cada um dos escolhidos de Deus. Ela aconteceu tão somente pela graça de Deus. Se você é um escolhido de Deus não se vanglorie disso, mas glorifique a Deus, pois a Ele pertence toda glória. Paulo nos confirma isso quando fala a respeito de nossa salvação:
8  Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus;
não de obras, para que ninguém se glorie (Ef 2.8,9).
3 – A PREDILEÇÃO DOS PAIS EM RELAÇÃO AOS FILHOS
Isaque e Rebeca se conhecem e se casam. Um amor lindo que serve de analogia até hoje. Entretanto, ficam sem filhos por vinte anos. Isaque casou-se com 40 anos e orou vinte anos por Rebeca para ter filhos. Quando os filhos nasceram cometeram o grave erro de terem um filho em detrimento do outro.
28  Isaque amava a Esaú, porque se saboreava de sua caça; Rebeca, porém, amava a Jacó (Gn 25.28).
Mas por que será que agiram assim? O que pode estar por trás disso tudo? Não podemos ter a certeza, mas talvez a resposta esteja em episódio muito triste na vida deste casal, em que Isaque comete um grave erro contra sua mulher, Rebeca, quando mentiu ao povo de uma cidade dizendo que ela era sua irmã, e por causa disso o rei daquele povo levou Rebeca ao seu harém, pois diz a Bíblia que ela era muito formosa, e se não fosse pela intervenção de Deus, ela teria sido abusada sexualmente pelo rei. Ele faz isso em nome do amor, mas em um gesto egoísta, pois sua função era proteger sua mulher e, se preciso for morrer por sua mulher.
4 – OS ERROS COMETIDOS PELOS PAIS
Por causa da predileção, os pais cometem graves erros que vão acirrar brutalmente a rivalidade entre os irmãos. Veja o erro de Isaque:
1  Tendo-se envelhecido Isaque e já não podendo ver, porque os olhos se lhe enfraqueciam, chamou a Esaú, seu filho mais velho, e lhe disse: Meu filho! Respondeu ele: Aqui estou!
2  Disse-lhe o pai: Estou velho e não sei o dia da minha morte.
3  Agora, pois, toma as tuas armas, a tua aljava e o teu arco, sai ao campo, e apanha para mim alguma caça,
4  e faze-me uma comida saborosa, como eu aprecio, e traze-ma, para que eu coma e te abençoe antes que eu morra (Gn 27.1-4).
Deus não havia dito a eles que escolhera o mais novo? Não havia dito a eles que o mais velho serviria ao mais novo? Isaque conhecia os planos de Deus e não poderia ir contra a Sua vontade. O que Rebeca fez? Errou também pelo outro lado:
5  Rebeca esteve escutando enquanto Isaque falava com Esaú, seu filho. E foi-se Esaú ao campo para apanhar a caça e trazê-la.
6  Então, disse Rebeca a Jacó, seu filho: Ouvi teu pai falar com Esaú, teu irmão, assim:
7  Traze caça e faze-me uma comida saborosa, para que eu coma e te abençoe diante do SENHOR, antes que eu morra.
8  Agora, pois, meu filho, atende às minhas palavras com que te ordeno.
9  Vai ao rebanho e traze-me dois bons cabritos; deles farei uma saborosa comida para teu pai, como ele aprecia;
10  levá-la-ás a teu pai, para que a coma e te abençoe, antes que morra (Gn 27.5-10).
Os dois cometeram graves erros por causa da predileção que tinham por um filho. Veja a execução dos erros:
11  Disse Jacó a Rebeca, sua mãe: Esaú, meu irmão, é homem cabeludo, e eu, homem liso.
12  Dar-se-á o caso de meu pai me apalpar, e passarei a seus olhos por zombador; assim, trarei sobre mim maldição e não bênção.
13  Respondeu-lhe a mãe: Caia sobre mim essa maldição, meu filho; atende somente o que eu te digo, vai e traze-mos.
14  Ele foi, tomou-os e os trouxe a sua mãe, que fez uma saborosa comida, como o pai dele apreciava.
15  Depois, tomou Rebeca a melhor roupa de Esaú, seu filho mais velho, roupa que tinha consigo em casa, e vestiu a Jacó, seu filho mais novo.
16  Com a pele dos cabritos cobriu-lhe as mãos e a lisura do pescoço.
17  Então, entregou a Jacó, seu filho, a comida saborosa e o pão que havia preparado.
18  Jacó foi a seu pai e disse: Meu pai! Ele respondeu: Fala! Quem és tu, meu filho?
19  Respondeu Jacó a seu pai: Sou Esaú, teu primogênito; fiz o que me ordenaste. Levanta-te, pois, assenta-te e come da minha caça, para que me abençoes.
20  Disse Isaque a seu filho: Como é isso que a pudeste achar tão depressa, meu filho? Ele respondeu: Porque o SENHOR, teu Deus, a mandou ao meu encontro.
21  Então, disse Isaque a Jacó: Chega-te aqui, para que eu te apalpe, meu filho, e veja se és meu filho Esaú ou não.
22  Jacó chegou-se a Isaque, seu pai, que o apalpou e disse: A voz é de Jacó, porém as mãos são de Esaú.
23  E não o reconheceu, porque as mãos, com efeito, estavam peludas como as de seu irmão Esaú. E o abençoou.
24  E lhe disse: És meu filho Esaú mesmo? Ele respondeu: Eu sou.
25  Então, disse: Chega isso para perto de mim, para que eu coma da caça de meu filho; para que eu te abençoe. Chegou-lho, e ele comeu; trouxe-lhe também vinho, e ele bebeu.
26  Então, lhe disse Isaque, seu pai: Chega-te e dá-me um beijo, meu filho.
27  Ele se chegou e o beijou. Então, o pai aspirou o cheiro da roupa dele, e o abençoou, e disse: Eis que o cheiro do meu filho é como o cheiro do campo, que o SENHOR abençoou;
28  Deus te dê do orvalho do céu, e da exuberância da terra, e fartura de trigo e de mosto.
29  Sirvam-te povos, e nações te reverenciem; sê senhor de teus irmãos, e os filhos de tua mãe se encurvem a ti; maldito seja o que te amaldiçoar, e abençoado o que te abençoar (Gn 27.11-29).
Mal acabara Isaque de abençoar a Jacó, chega Esaú:
30  Mal acabara Isaque de abençoar a Jacó, tendo este saído da presença de Isaque, seu pai, chega Esaú, seu irmão, da sua caçada.
31  E fez também ele uma comida saborosa, a trouxe a seu pai e lhe disse: Levanta-te, meu pai, e come da caça de teu filho, para que me abençoes.
32  Perguntou-lhe Isaque, seu pai: Quem és tu? Sou Esaú, teu filho, o teu primogênito, respondeu.
33  Então, estremeceu Isaque de violenta comoção e disse: Quem é, pois, aquele que apanhou a caça e ma trouxe? Eu comi de tudo, antes que viesses, e o abençoei, e ele será abençoado.
34  Como ouvisse Esaú tais palavras de seu pai, bradou com profundo amargor e lhe disse: Abençoa-me também a mim, meu pai!
35  Respondeu-lhe o pai: Veio teu irmão astuciosamente e tomou a tua bênção.
36  Disse Esaú: Não é com razão que se chama ele Jacó? Pois já duas vezes me enganou: tirou-me o direito de primogenitura e agora usurpa a bênção que era minha. Disse ainda: Não reservaste, pois, bênção nenhuma para mim?
37  Então, respondeu Isaque a Esaú: Eis que o constituí em teu senhor, e todos os seus irmãos lhe dei por servos; de trigo e de mosto o apercebi; que me será dado fazer-te agora, meu filho?
38  Disse Esaú a seu pai: Acaso, tens uma única bênção, meu pai? Abençoa-me, também a mim, meu pai. E, levantando Esaú a voz, chorou.
39  Então, lhe respondeu Isaque, seu pai: Longe dos lugares férteis da terra será a tua habitação, e sem orvalho que cai do alto.
40  Viverás da tua espada e servirás a teu irmão; quando, porém, te libertares, sacudirás o seu jugo da tua cerviz (Gn 29.30-40).
Por essa razão que, 1500 anos depois, por causa de uma mágoa gerada entre os irmãos, acontece uma avalanche de tragédias, pois um problema foi criado e não foi devidamente resolvido. E qual foi o resultado?
5 – A CONSEQUÊNCIA DOS ERROS DOS PAIS
Os erros dos pais culminaram em graves consequências na vida de seus filhos e de suas descendências.
A – O Surgimento de um Ódio Muito Violento
41  Passou Esaú a odiar a Jacó por causa da bênção, com que seu pai o tinha abençoado; e disse consigo: Vêm próximos os dias de luto por meu pai; então, matarei a Jacó, meu irmão (Gn 27.41).
E Rebeca precisa tirar urgente Jacó da presença de Esaú.
42  Chegaram aos ouvidos de Rebeca estas palavras de Esaú, seu filho mais velho; ela, pois, mandou chamar a Jacó, seu filho mais moço, e lhe disse: Eis que Esaú, teu irmão, se consola a teu respeito, resolvendo matar-te.
43  Agora, pois, meu filho, ouve o que te digo: retira-te para a casa de Labão, meu irmão, em Harã;
44  fica com ele alguns dias, até que passe o furor de teu irmão,
45  e cesse o seu rancor contra ti, e se esqueça do que lhe fizeste. Então, providenciarei e te farei regressar de lá. Por que hei de eu perder os meus dois filhos num só dia (Gn 27.42-45)?
Mas Jacó fica por lá vinte anos e quando volta Rebeca já estava morta. Tudo isso gerou mais tensão, mais solidão, mais angústia, mais separação entre o casal e entre os filhos.
B – Uma Hostilidade que Nunca Cessou
A Bíblia diz que depois de 20 anos, mesmo com muito medo da promessa de Esaú de matá-lo, Jacó volta e, no vau de Jaboque, luta com Deus, que transforma sua vida e patrocina um encontro entre os dois irmãos. Eles se perdoam, se abraçam, se beijam, mas não vivem juntos. Esaú vai para o monte Seir, às margens do Mar Vermelho e Jacó para Siquém, em Canaã. Mas esse ódio começa a se perpetuar, pois o povo de Jacó vai para o Egito, passa lá 430 anos, Deus os liberta e, quando estão voltando pelo deserto, precisam passar pelo território de Edom. Deus disse para Moisés que ele deveria tratar os edomitas como irmãos, pois eram mesmo.
7  Não aborrecerás o edomita, pois é teu irmão; nem aborrecerás o egípcio, pois estrangeiro foste na sua terra (Dt 23.7).
14  Enviou Moisés, de Cades, mensageiros ao rei de Edom, a dizer-lhe: Assim diz teu irmão Israel: Bem sabes todo o trabalho que nos tem sobrevindo;
15  como nossos pais desceram ao Egito, e nós no Egito habitamos muito tempo, e como os egípcios nos maltrataram, a nós e a nossos pais;
16  e clamamos ao SENHOR, e ele ouviu a nossa voz, e mandou o Anjo, e nos tirou do Egito. E eis que estamos em Cades, cidade nos confins do teu país.
17  Deixa-nos passar pela tua terra; não o faremos pelo campo, nem pelas vinhas, nem beberemos a água dos poços; iremos pela estrada real; não nos desviaremos para a direita nem para a esquerda, até que passemos pelo teu país.
18  Porém Edom lhe disse: Não passarás por mim, para que não saia eu de espada ao teu encontro.
19  Então, os filhos de Israel lhe disseram: Subiremos pelo caminho trilhado, e, se eu e o meu gado bebermos das tuas águas, pagarei o preço delas; outra coisa não desejo senão passar a pé.
20  Porém ele disse: Não passarás. E saiu-lhe Edom ao encontro, com muita gente e com mão forte.
21  Assim recusou Edom deixar passar a Israel pelo seu país; pelo que Israel se desviou dele (Nm 20.14-21).
Os edomitas trataram a Israel com hostilidades, levando-os a dar uma grande caminhada, com muitas dificuldades. Mas não ficou somente nisso, pois essa mágoa voltou à tona várias vezes. Na época de Davi, como um guerreiro e como um estrategista militar, resolveu lutar contra os edomitas, não somente por ódio racial, mas por tomar posse de uma região estratégica, pois onde ficava os edomitas era uma região comercial por onde passava o comércio entre o Norte e o Sul.
14  Pôs guarnições em Edom, em todo o Edom pôs guarnições, e todos os edomitas ficaram por servos de Davi; e o SENHOR dava vitórias a Davi, por onde quer que ia (2 Sm 8.14).
Depois os edomitas invadiram Israel no reinado do rei Jeorão.
20  Nos dias de Jeorão, se revoltaram os edomitas contra o poder de Judá e constituíram o seu próprio rei.
21  Pelo que Jeorão passou a Zair, e todos os carros, com ele; ele se levantou de noite e feriu os edomitas que o cercavam e os capitães dos carros; o povo de Jeorão, porém, fugiu para as suas tendas.
22  Assim se rebelou Edom para livrar-se do poder de Judá até ao dia de hoje; ao mesmo tempo, se rebelou também Libna (2 Rs 8.20-22).
Amós denuncia os pecados de Edom severamente, dizendo que seu ódio contra seu irmão nunca cessou.
11  Assim diz o SENHOR: Por três transgressões de Edom e por quatro, não sustarei o castigo, porque perseguiu o seu irmão à espada e baniu toda a misericórdia; e a sua ira não cessou de despedaçar, e reteve a sua indignação para sempre (Am 1.11).
O ódio agora vai culminar na queda de Jerusalém em 586 a.C., quando Nabucodonosor entrincheira Jerusalém e Edom fica do lado de Babilônia, como parceira dela, para ajudar a atacar a Judá ao invés de ser solidária com ela. Os que tentam fugir, os edomitas vão lá e matam e os que tentam encontrar refúgio, eles entregam para os soldados da Babilônia. É isso que vimos lá no salmo 137:
1  Às margens dos rios da Babilônia, nós nos assentávamos e chorávamos, lembrando-nos de Sião.
2  Nos salgueiros que lá havia, pendurávamos as nossas harpas,
3  pois aqueles que nos levaram cativos nos pediam canções, e os nossos opressores, que fôssemos alegres, dizendo: Entoai-nos algum dos cânticos de Sião.
4  Como, porém, haveríamos de entoar o canto do SENHOR em terra estranha?
5  Se eu de ti me esquecer, ó Jerusalém, que se resseque a minha mão direita.
6  Apegue-se-me a língua ao paladar, se me não lembrar de ti, se não preferir eu Jerusalém à minha maior alegria.
Contra os filhos de Edom, lembra-te, SENHOR, do dia de Jerusalém, pois diziam: Arrasai, arrasai-a, até aos fundamentos.
8  Filha da Babilônia, que hás de ser destruída, feliz aquele que te der o pago do mal que nos fizeste.
9  Feliz aquele que pegar teus filhos e esmagá-los contra a pedra (Sl 137.1-9).
A inimizade se agrava a partir daí. Logo depois de Judá, Edom é dominada e saqueada. Eles vão se refugiar na região sul da Palestina, perto do deserto do Neguebe. Por isso que, quando Neemias volta para restaurar Jerusalém, vamos encontrar os edomitas na figura dos arábios, porque foram os árabes que conquistaram Edom e eles acabaram se misturando, recebendo naquela região um outro nome, o nome de Iduméia, de onde vem a palavra idumeu.
No século segundo a.C., João Hircano (que governou a Judéia entre 135 e 104 a.C.), domina os idumeus, força-os a se circuncidarem, tornando-os, pelo menos externamente, judeus. Por volta do ano 63 a.C., os romanos conquistam a Palestina e a partir daí uma família iduméia vai assumir o comando sobre a Palestina com Herodes, o grande, sendo coroado rei dos judeus. Herodes era um descendente direto de Esaú, um edomita.
C – Uma Inimizade que se Estende Até a Última Geração Edomita
O Novo Testamento abre com um rei idumita reinando sobre os judeus. Qual a atitude dele? Mata as crianças para tentar matar a Jesus. Quando Herodes, o grande, morre, Herodes Antipas reina em seu lugar na Galiléia, o mesmo que mandou matar João Batista e quis impedir Jesus de pregar naquela região.
31  Naquela mesma hora, alguns fariseus vieram para dizer-lhe: Retira-te e vai-te daqui, porque Herodes quer matar-te.
32  Ele, porém, lhes respondeu: Ide dizer a essa raposa que, hoje e amanhã, expulso demônios e curo enfermos e, no terceiro dia, terminarei (Lc 13.31-32).
Foi esse o mesmo Herodes para quem Pilatos mandou Jesus e ele escarneceu de Jesus porque queria que Jesus fizesse milagres em sua presença. O terceiro Herodes foi o rei Herodes Agripa I, que perseguiu a igreja primitiva e mandou matar o apóstolo Tiago, irmão de João, e mandou prender Pedro, para matá-lo depois da Páscoa, e, ao ser ovacionado por uma multidão, não dando glória a Deus, morreu comido de vermes. O último personagem dessa família, o rei Herodes Agripa II, que era casado com sua própria irmã Berenice e, em uma visita a Festo, é colocado em sua presença o apóstolo Paulo.
13  Passados alguns dias, o rei Agripa e Berenice chegaram a Cesaréia a fim de saudar a Festo.
22  Então, Agripa disse a Festo: Eu também gostaria de ouvir este homem. Amanhã, respondeu ele, o ouvirás.
23  De fato, no dia seguinte, vindo Agripa e Berenice, com grande pompa, tendo eles entrado na audiência juntamente com oficiais superiores e homens eminentes da cidade, Paulo foi trazido por ordem de Festo.
24  Então, disse Festo: Rei Agripa e todos vós que estais presentes conosco, vedes este homem, por causa de quem toda a multidão dos judeus recorreu a mim tanto em Jerusalém como aqui, clamando que não convinha que ele vivesse mais.
A seguir, Agripa, dirigindo-se a Paulo, disse: É permitido que uses da palavra em tua defesa. Então, Paulo, estendendo a mão, passou a defender-se nestes termos:
2  Tenho-me por feliz, ó rei Agripa, pelo privilégio de, hoje, na tua presença, poder produzir a minha defesa de todas as acusações feitas contra mim pelos judeus;
Acreditas, ó rei Agripa, nos profetas? Bem sei que acreditas.
28  Então, Agripa se dirigiu a Paulo e disse: Por pouco me persuades a me fazer cristão.
29  Paulo respondeu: Assim Deus permitisse que, por pouco ou por muito, não apenas tu, ó rei, porém todos os que hoje me ouvem se tornassem tais qual eu sou, exceto estas cadeias.
30  A essa altura, levantou-se o rei, e também o governador, e Berenice, bem como os que estavam assentados com eles (At 25.13, 22-24; 26.1-2, 27-30).
Quando chega o ano 70 d.C., Tito Vespasiano invade Jerusalém, arrasa a cidade, dispersa os judeus e na destruição de Jerusalém os idumitas são eliminados da história. Passaram dois mil anos sem que essa mágoa fosse resolvida. O livro de Obadias revela para nós as consequências dessa história.
Conclusão
Não subestime um pequeno problema, ele pode se tornar um grande mal. Isaque amava Esaú e Rebeca tinha a predileção por Jacó. Dessa maneira criaram os filhos não como amigos, mas como rivais, não como parceiros, mas como opositores, e essa atitude irracional dos dois irmãos vai se consolidar no ódio entre duas nações.
Quando deixamos nossas vaidades pessoais nos dominar, uma grande bênção pode se transformar em uma grande tragédia. Quando há desajustes no casamento, pode haver a concentração em um filho ou em outro para tentar suprir alguma deficiência. Então, quando os filhos deveriam ser motivos de alegrias e prazeres, tornam-se motivo de grande sofrimento.
Não tente mudar os desígnios de Deus e nem os manipular. Isaque, que amava mais a Esaú, tenta alterar o projeto de Deus. De que maneira? Isaque era o pai e tinha a competência de dar a bênção. Mesmo sabendo o que Deus havia dito, de que o mais velho serviria o mais moço, ele tenta alterar o projeto de Deus de uma maneira insensata. O que Rebeca faz? Articula um plano com Jacó e age errado também, tentando dar uma mãozinha para Deus, pensando que Ele não estaria a par dos fatos. Os dois deixaram de confiar em Deus. Os dois se insurgiram contra os propósitos de Deus. Não precisamos alterar os planos de Deus e nem dar uma mãozinha para Ele, pois Deus é Sábio, Soberano e Competente para dirigir a nossa história. Que Deus nos abençoe a refletirmos sobre estes erros e a evitá-los e corrigi-los em nossa vida. Amém!
Luiz Lobianco
luizlobianco@hotmail.com
Bibliografia:
Bíblia Sagrada. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. Sociedade Bíblica do Brasil.
Rev. Hernandes Dias Lopes: Mensagens sobre o livro de Obadias.