sábado, 4 de abril de 2015

AS TRÊS CRUZES DO CALVÁRIO



33  Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, ali o crucificaram, bem como aos malfeitores, um à direita, outro à esquerda.
34  Contudo, Jesus dizia: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. Então, repartindo as vestes dele, lançaram sortes.
35  O povo estava ali e a tudo observava. Também as autoridades zombavam e diziam: Salvou os outros; a si mesmo se salve, se é, de fato, o Cristo de Deus, o escolhido.
36  Igualmente os soldados o escarneciam e, aproximando-se, trouxeram-lhe vinagre, dizendo:
37  Se tu és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo.
38  Também sobre ele estava esta epígrafe em letras gregas, romanas e hebraicas: ESTE É O REI DOS JUDEUS.
39  Um dos malfeitores crucificados blasfemava contra ele, dizendo: Não és tu o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós também.
40  Respondendo-lhe, porém, o outro, repreendeu-o, dizendo: Nem ao menos temes a Deus, estando sob igual sentença?
41  Nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o castigo que os nossos atos merecem; mas este nenhum mal fez.
42  E acrescentou: Jesus, lembra-te de mim quando vieres no teu reino.
43  Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso (Lc 23.33-43).
Introdução
A PISCINA E A CRUZ è Conta-se que um excelente nadador tinha o costume de correr até a água e molhar somente o dedão do pé antes de qualquer mergulho. Alguém intrigado com aquele comportamento lhe perguntou qual a razão daquele hábito. O nadador sorriu e respondeu:
Há alguns anos, numa certa noite perdi o sono e fui à piscina para nadar um pouco. Não acendi a luz, pois a lua brilhava muito. Quando eu estava no trampolim, vi minha sombra numa parede à minha frente. Com os braços abertos, minha imagem formava uma magnífica cruz. Em vez de saltar, fiquei ali parado, contemplando aquela bela imagem. Nesse momento pensei na cruz de Cristo e em seu significado. Eu não era um cristão, mas quando era criança aprendi que Jesus tinha morrido para nos salvar. Sentei-me no trampolim, enquanto aqueles ensinamentos vinham-me à mente. Não sei quanto tempo fiquei ali parado, mas, ao final, eu estava em paz com Deus. Desci do trampolim e resolvi apenas tomar um gostoso banho, quando, para meu assombro, descobri que haviam esvaziado a piscina naquela tarde. Naquela noite a cruz de Cristo salvou-me duas vezes: da morte física e da morte espiritual. Por isso molho o dedão do pé antes de saltar.
Quando viajamos pelas estradas, constantemente vemos cruzes fixadas as beiras das rodovias. Elas falam que alguém morreu naquele local em algum acidente. Cruz lembra morte e hoje vamos conversar sobre as três cruzes do Calvário.
Depois de enfrentar um julgamento injusto, de ser maltratado pelos soldados, pelas autoridades, sempre acompanhado por aquela multidão que contemplou seus milagres e suas curas, Jesus chega ao monte chamado Calvário e ali o crucificam com mais duas pessoas. A cena do Calvário tinha três cruzes: do lado direto um ladrão, no meio Jesus e do lado esquerdo outro ladrão.
Parece que a multidão não estava muito preocupada com os dois criminosos. Eles eram apenas ladrões e haviam cometido delitos e mereciam pagar o preço de seus atos. As atenções, no entanto, estavam voltadas à cruz do centro, ao homem Jesus que era o protagonista daquela cena, tanto é que Ele foi crucificado no meio. O fato é que havia ali naquele lugar três cruzes. O que elas podem significar?
1 – A CRUZ DA DIREITA: A CRUZ DA INCREDULIDADE
As palavras daquele homem, crucificado a direita de Jesus, não eram palavras consoladoras e nem palavras de arrependimento, muito menos palavras de exaltação e reconhecimento àquele que estava ao seu lado, pois dizia:
39  Um dos malfeitores crucificados blasfemava contra ele, dizendo: Não és tu o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós também.
Aquele ladrão estava vivendo uma situação irreversível. Estava pregado em uma cruz esperando a chegada da morte que era iminente. Ele não queria salvar a sua alma, queria tão somente salvar o seu corpo daquela cruz, algo que somente aconteceria por um milagre. Aquele homem, naquele momento de sua vida, ainda estava agindo com incredulidade.
A incredulidade sempre descobre impossibilidades porque sempre olha para as circunstâncias, para os obstáculos e não para Deus. Aquele homem estava apenas olhando para a situação de crucificado e pensando em uma forma de se safar daquela situação. Ele olhou para Jesus como o Cristo, mas não o Cristo que salva a alma do inferno, mas sim como o Cristo que poderia tirá-lo daquela cruz. Ele foi totalmente incrédulo até o fim de sua vida.
Jesus não lhe deu qualquer resposta. Deus não age diante da incredulidade. Ele nem dá respostas a ela. E temos um exemplo disso que é a cidade de Nazaré, a cidade em que Jesus Cristo viveu:
1  Tendo Jesus partido dali, foi para a sua terra, e os seus discípulos o acompanharam.
2  Chegando o sábado, passou a ensinar na sinagoga; e muitos, ouvindo-o, se maravilhavam, dizendo: Donde vêm a este estas coisas? Que sabedoria é esta que lhe foi dada? E como se fazem tais maravilhas por suas mãos?
3  Não é este o carpinteiro, filho de Maria, irmão de Tiago, José, Judas e Simão? E não vivem aqui entre nós suas irmãs? E escandalizavam-se nele (Mc 6.1-3).
No contexto desta passagem Jesus operou milagres maravilhosos. Ele expulsou uma legião de demônios de um endemoninhado. Uma mulher foi curada instantaneamente de uma hemorragia que a assolara por anos. Uma garota de doze anos, a filha de um governante judeu, ressuscitou dos mortos. Ao operar tais milagres, Jesus disse àqueles a quem libertou: A tua fé te salvou.
E nesta passagem Jesus vai à Sua cidade, Nazaré, onde e viveu os primeiros trinta anos de Sua vida. Jesus volta à Sua terra para estar no meio da Sua própria gente, incluindo a Sua própria família, mas encontra ali o pior tipo de incredulidade.
O povo de Nazaré certamente ouvira a respeito das grandes obras de Jesus. Com certeza tinham ouvido as histórias maravilhosas dos milagres de suas mãos. Entretanto, para eles, tais coisas aconteceram em outras cidades, em outros locais, em outras comunidades, e não em Nazaré. E qual é o resultado diante da incredulidade daquelas pessoas?
5  Não pôde fazer ali nenhum milagre, senão curar uns poucos enfermos, impondo-lhes as mãos.
6  Admirou-se da incredulidade deles. Contudo, percorria as aldeias circunvizinhas, a ensinar (Mc 6.5-6).
A – É a cruz da rejeição
Na cruz da direita estão representados todos aqueles que rejeitam a salvação providenciada por Deus através do sacrifício de seu Filho Unigênito. Na cruz da incredulidade estão aqueles que não querem assumir compromisso com Deus e por causa disso o rejeita.
Jesus sabe o que é a dor da rejeição. Podemos notar isso quando lemos a sua lamentação sobre Jerusalém:
34  Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir teus filhos como a galinha ajunta os do seu próprio ninho debaixo das asas, e vós não o quisestes (Lc 13.34)!
Mas isso não aconteceu somente com Jerusalém. Jesus foi desprezado e rejeitado pelos homens. Ele sabe o que é isso já desde antes de seu nascimento em Belém, pois assim dizia a profecia a Seu respeito:
3  Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso (Is 53.3).
Nós rejeitamos a Deus quando recusamos a Sua oferta de salvação. Aquele ladrão estava sendo mais um daqueles que rejeitaram a Cristo. E a Bíblia diz que qualquer pessoa que rejeita a Deus é um tolo.
A parte mais triste da história desse ladrão que estava crucificado ao lado de Jesus, é que ele se perdeu tendo a salvação bem ao seu lado. Ele estava tão perto de Jesus e da Salvação, mas ainda assim, partiu desta vida totalmente perdido por causa da incredulidade de seu coração.
Esta também é a situação de muitas pessoas que vivem no meio do Evangelho. Frequentam as igrejas, ouvem a Palavra de Deus nos cultos, mas não tomam uma decisão séria de seguir a Cristo, não tem uma entrega total a Cristo, sempre deixam reservas e isso também é uma forma de rejeição
B – É a cruz da zombaria
Aquela cruz representa a arrogância de toda a humanidade. Apesar de estar numa situação extrema, de iminente morte, aquele homem juntava o que restava de suas forças para desafiar o Filho de Deus. Naquela cruz estão aqueles como as autoridades que diziam:
35  ... Salvou os outros; a si mesmo se salve, se é, de fato, o Cristo de Deus, o escolhido.
Lá também estão outros, como os soldados, que diziam:
37  Se tu és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo.
Também estão lá aqueles como um dos ladrões que dizia:
39  ... Não és tu o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós também.
Jesus Cristo sofreu muitos escárnios, risos, muitas caçoadas e teve muito tratamento insolente contra Ele durante o seu ministério na terra. Os discípulos de Jesus Cristo também foram zombados. E Jesus nos advertiu que também o seríamos, mas fez uma linda declaração sobre isso:
11  Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós (Mt 5.11).
Jesus Cristo sabia desde o início que teria de enfrentar os escárnios e que isso culminaria em Sua morte. Mas, Ele reconhecia que todos os escárnios que recebia eram dirigidos, na verdade, contra o Senhor, a quem Ele representava. E a Bíblia faz uma severa advertência a respeito disso:
7  Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará (Gl 6.7).
E também diz:
10  Porque, se meu pai e minha mãe me desampararem, o SENHOR me acolherá (Sl 27.10).
Todos aqueles que zombam da salvação de Deus estão representados nesta cruz. Todos aqueles que zombam dos filhos de Deus e da santidade deles estão representados nesta cruz. Todos aqueles que zombam do poder de Deus, da Sua vontade Soberana e de Seu domínio sobre todas as coisas estão representados nesta cruz, a cruz da incredulidade, a cruz da zombaria.
C – É a cruz daqueles que não aproveitam as oportunidades
Na cruz da incredulidade estão aqueles que deixam as oportunidades passarem porque acham cedo demais para se envolverem com Deus, são aqueles que deixam para se decidirem depois, que deixam para amanhã o primordial, o essencial para suas vidas de pecados.
Lá no Calvário, havia um homem pendurado em uma cruz, ao lado de Jesus, que morria sem fé, que morria sem esperança e que morria sem aceitar a salvação de Deus. Aquele homem, por não tomar a decisão correta, morria perdido em seus pecados, morria sem receber o perdão, e por isso ele estava perdido para sempre, porque ele estava deixando passar a sua última oportunidade.
O fato é que este homem tivera a mesma oportunidade que o daquele que esta a esquerda de Jesus, mas ele não a aproveitou, e morreu completamente perdido sem alcançar a salvação de sua alma. Ele estava interessado apenas na salvação de seu corpo. Eles não estavam somente em lados opostos de Jesus, mas estavam também com atitudes opostas.
Talvez aquele ladrão não tenha suportado a verdade, porque a cruz da incredulidade é daqueles que não suportam a verdade. Talvez, mesmo no sofrimento que estava passando, ele não quisesse deixar o caminho largo, o caminho do pecado, e passar pelo caminho estreito, porque a cruz da incredulidade é daqueles que andam pelo caminho largo do pecado e dos prazeres deste mundo. Aquele homem queria descer daquela cruz para continuar a fazer o que fazia antes: roubar. E qual é o fim daqueles que estão naquela cruz?
8  Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte (Ap 21.8).
Um fim trágico de perdição eterna, sem Deus, sem salvação, sem o gozo da vida eterna no céu com Cristo. Tem muita gente boa neste mundo com atitudes iguais ao ladrão daquela cruz, sem arrependimento, não obstante estar no fundo do poço, mas preferem continuar cavando e se afundando cada vez mais em seus pecados ao invés de se arrependerem e se converterem a Cristo. A incredulidade também é pecado, e é o mais horrível de todos os pecados.
2 – A CRUZ DA ESQUERDA: A CRUZ DA FÉ
À esquerda havia outra cruz com outro homem, outro ladrão, mas com outra atitude, não de rejeição, não de zombaria, mas de alguém que percebeu que a sua última oportunidade estava passando e ele resolveu não perdê-la. Aquele homem dizia:
40  Respondendo-lhe, porém, o outro, repreendeu-o, dizendo: Nem ao menos temes a Deus, estando sob igual sentença?
41  Nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o castigo que os nossos atos merecem; mas este nenhum mal fez.
42  E acrescentou: Jesus, lembra-te de mim quando vieres no teu reino.
Aquele homem reconheceu o que as autoridades do povo não reconheceram: a inocência de Jesus. Pilatos havia visto a mesma coisa em Jesus, mas não tomou a atitude que aquele ladrão tomou. Enquanto as horas passavam, aquele ladrão, pendurado naquela cruz, procurou sair do tempo e avançar rumo à eternidade.
A – É a cruz do arrependimento
O que é arrependimento? Arrepender significa mudar de ideia. Arrependimento verdadeiro resulta em uma mudança de comportamento. Uma definição bíblica e completa de arrependimento é: mudança de convicção sobre algo que resulta em mudança de comportamento.
Arrepender-se, em relação à salvação, é mudar sua convicção sobre Jesus Cristo. Pedro, logo após o Pentecostes, está convidando as pessoas que rejeitaram a Jesus a mudarem seus pensamentos sobre Ele e reconhecerem que realmente Ele é o Senhor e Cristo:
36  Esteja absolutamente certa, pois, toda a casa de Israel de que a este Jesus, que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo (At 2.36).
Pedro está convidando as pessoas a transformarem suas mentes deixando para trás a sua rejeição a Cristo como o Messias e passar a ter fé Nele como Messias e Salvador. E como isso deveria acontecer?
38  Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo (At 2.38).
Através do arrependimento. É impossível colocar nossa fé em Jesus Cristo como Salvador sem primeiro mudarmos nossa convicção sobre quem Ele é e o que Ele tem feito. Aquele ladrão mudou. Se ele não tivesse passado pelo arrependimento com certeza estava tendo a mesma atitude do outro, e ele seria apenas mais um dos incrédulos, mais um dos que zombavam.
Mas agora, naquela situação, aquele ladrão não temia mais os juízes deste mundo e nem o povo. Ele estava preso, crucificado, não podia fazer nada a não ser pensar e falar. Naquelas horas de sofrimento ele se arrependeu e o que quer que ele antes pensasse de Jesus, agora ele o vê como o Cordeiro de Deus e teve um pulsar da fé diante da Pessoa do Senhor Jesus, e espontaneamente clamou:
42  ... Jesus, lembra-te de mim quando vieres no teu reino.
Imagine como estas palavras devem ter tocado o coração de Jesus. Em meio a tanta zombaria e rejeição, diante de tanto escárnio e irreverência, alguém o chama de Senhor e busca a Sua salvação, a salvação de sua alma e não de seu corpo. Agora sim merecia uma resposta e Jesus a dá com todo o Seu amor que tem pelo pecador.
Esta era a última oportunidade de arrependimento para aquele homem e ele não a perdeu, não adiou a sua decisão. Ele se sentia perdido e desesperadamente só, abandonado por todos. Então teve a certeza de que aquele que estava ao seu lado era o Messias, o Salvador do Mundo, a sua última esperança. Ele se arrependeu e creu em Jesus. Mas há algo mais que precisa ser feito além do arrependimento.
B – É a cruz da confissão
Aquele homem não somente se arrependeu como também confessou os seus pecados. Impressionado com a postura, com o equilíbrio e com o controle de Jesus mesmo sentindo tanta dor, e ao ver seu colega zombar dele, não suportou o peso da consciência e disse:
41  Nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o castigo que os nossos atos merecem; mas este nenhum mal fez.
Aquele ladrão teve a atitude correta diante de Cristo: sentir-se perdido diante de Deus. Aquele homem raciocinou sobre sua vida de pecado e chegou à conclusão de que merecia a pena que recebera. Ele aceitava e reconhecia a pena de seus crimes, mas não estava preparado para a morte. E para se preparar para a morte, a qual estava iminente naquela hora, além de arrepender-se, ele confessou os seus pecados. Devemos confessar os nossos pecados a Deus para recebermos o perdão. A Bíblia diz:
8  Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós.
9  Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça (1 Jo 1.9).
A confissão aqui é feita pelo cristão ao Pai, com ajuda do Advogado Jesus Cristo. Alguns pecados não precisam ser confessados a outros homens, mas todos precisam ser confessados ao Senhor para receber o perdão dele.
Aquele homem não podia ir à sinagoga para confessar os seus pecados, não podia procurar aqueles de quem furtara para pedir perdão. Não podia ser batizado. Nada podia fazer senão exercer a fé, e fé em Deus. E isto ele fez, e graças a esta atitude ele foi salvo.
C – É a cruz da esperança
O ladrão esperou ansioso por uma resposta que veio imediatamente após a sua decisão. Jesus não responde a incredulidade, mas responde imediatamente à fé. Jesus lhe respondeu:
43  ... Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso.
E em função de ter crido, o ladrão convertido recebeu a certeza da vida eterna. Naqueles últimos momentos de sua vida ele recebeu o perdão de todos os seus pecados e a certeza da salvação. Se há uma pessoa sobre a qual podemos ter certeza de seu destino eterno é o ladrão arrependido, porque foi o próprio Jesus quem sentenciou a seu respeito. Aquele ladrão entendeu o amor de Deus, conforme João nos revela quando diz:
16  Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (Jo 3.16).
Aquele que estava na cruz da fé entendeu a missão daquele que estava na cruz do centro, conforme as próprias palavras de Jesus quando disse:
32  E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo (Jo 12.32).
Naquele momento, o sacrifício de Cristo não atraiu os soldados, não atraiu as autoridades, não atraiu o povo, não atraiu aquele que estava a sua direita, mas atraiu aquele ladrão pecador que estava ao seu lado esquerdo, pois aquele que estava na cruz da fé sentiu-se atraído pelo amor de Jesus. Aquele que estava na cruz da fé reconheceu sua culpa e sua insuficiência, conforme as palavras de Paulo quando diz:
23  pois todos pecaram e carecem da glória de Deus (Rm 3.23).
Pelo fato de sermos descendentes de Adão o pecado faz parte da nossa natureza, faz parte da essência do ser humano porque já nascemos com ele. A Bíblia diz que através de Adão entrou o pecado no mundo. Então todos os descendentes de Adão já nascem com o pecado em si.
Quando Jesus veio como homem a este mundo, Ele assumiu o nosso lugar debaixo do juízo divino. Deus tratou Jesus Cristo, ali na cruz do Calvário, da maneira exata como nosso pecado merecia ser tratado. Basta que você se arrependa, confesse os seus pecados e creia em Jesus como Salvador da sua vida, para ser perdoado e ter a vida eterna. A cruz da esquerda representa a todos aqueles que têm fé em Jesus.
3 – A CRUZ DO CENTRO: A CRUZ DA SALVAÇÂO
A palavra cruz se refere à doutrina de que Cristo morreu pelos pecadores sobre a cruz e a cruz aponta para Cristo como o único Salvador dos homens. Esta é a cruz do centro, a cruz da salvação.
Ao mesmo tempo em que a cruz revela a malignidade do coração humano, ela também revela a bondade, a misericórdia e o amor de Deus de uma maneira que nenhuma outra coisa seria capaz de fazê-lo.
A – A cruz do Cordeiro de Deus
Na cruz central, Jesus Cristo, o Homem perfeito, oferecia um sacrifício perfeito para redimir a todos os pecadores que forem até Ele. Aquela cruz, a cruz do centro, não poderia ser de outro a não ser de Jesus, o Unigênito de Deus. Somente Ele poderia ocupar aquele lugar. Quando João Batista viu a Jesus pela primeira vez disse:
29  No dia seguinte, viu João a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo (Jo 1.29)!
E a profecia sobre o a vinda do Messias dizia:
7  Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca (Is 53.7).
E a cruz de Cristo é o símbolo de Sua submissão ao Pai:
8  a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz (Fp 2.8).
O cordeiro tem chamado a atenção por sua natureza mansa.  E em seu espírito de humildade, Jesus personifica o cordeiro. Esta mansidão, esta humildade deve ter chamado a atenção do ladrão à esquerda e o levou a crer em Jesus. O mesmo deve ter percebido o da direita, mas isto o levou a zombar de Cristo. Não concebia em sua mente um inocente morrer tão quieto e tão calado.
B – A cruz da substituição
Por que Jesus? Por que Ele teve que morrer? Quem deveria estar lá era eu, era você, era somente aqueles dois ladrões. Mas nenhum outro poderia nos substituir a não ser Jesus. A Bíblia diz que:
21  Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus (2 Cor 5.21).
22  Com efeito, quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e, sem derramamento de sangue, não há remissão (Hb 9.22).
No tempo da Lei de Moisés, toda vez que alguém pecava, tinha que derramar o sangue de um animal inocente e oferecer o sacrifício desse animal a Deus, para que o pecado dessa pessoa fosse remido, isto é, fosse perdoado por Deus. O animal sacrificado tinha que ser totalmente perfeito, sem nenhuma mancha, sem nenhum defeito. O autor do livro de Hebreus, ao falar sobre este assunto, diz:
13  Portanto, se o sangue de bodes e de touros e a cinza de uma novilha, aspergidos sobre os contaminados, os santificam, quanto à purificação da carne,
14  muito mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo (Hb 9.13,14)!
Deus enviou seu Filho ao mundo para oferecê-lo como sacrifício perfeito, em substituição a todos os sacrifícios que teriam que ser feitos. Jesus morreu para simplificar as coisas para o homem. Ele morreu para acabar com a matança de animais. Ele morreu para que houvesse condição igual para todos os homens se salvarem.
Deus, na cruz, não só teve de impor todas as nossas transgressões sobre aquele que não conheceu pecado, mas também, devido ao nosso estado corrompido, teve de considerá-lo pecado. Ele se fez pecado por nós. Isto significa que, na cruz, Deus contemplou, e por isso julgou o seu Amado Filho, como nosso Fiador e Intercessor, que pagaria por nossas más obras e por nossa má natureza. Foi por nós, pelo que fizemos e pelo que somos em nós mesmos, que morreu o Santo e Justo Jesus Cristo.
Nenhuma outra coisa teria satisfeito o coração de Deus. Aquela cruz não podia ser de outra pessoa que não fosse o Senhor Jesus. A mãe de Jesus não poderia ocupá-la, nenhum irmão de Jesus poderia ocupá-la, nenhum discípulo de Jesus poderia ocupá-la, mas tão somente o Cordeiro de Deus, Jesus Cristo.
Isso porque fora somente Jesus quem sofreu todas as dores, todas as agonias, as angústias, a tortura, a condenação injusta e todo tipo de humilhação. Foi Jesus quem sofreu as bofetadas dos soldados romanos, sua zombaria colocando uma coroa de espinhos em sua cabeça e até a execução entre dois malfeitores.
C – É a cruz da justificação
Na cruz do centro, Jesus Cristo, com seus braços abertos, abraçava aos pecadores em um gesto de convite, amor e salvação.  Jesus Cristo morria para pagar o preço dos nossos pecados e nos tornar justos diante de Deus. É a cruz da justificação e da restauração.
Ele se tornou o elo entre Deus e os homens. O pecado trouxera a separação, a ruína e a morte. Jesus Cristo restabeleceu a ligação entre o céu e a terra, fazendo com que o homem e o seu Deus pudessem estar reconciliados e unidos novamente.
Quando buscamos a salvação pelos nossos próprios esforços, quando achamos que podemos dar uma mãozinha pra Deus, estamos nos colocando no lugar de Jesus naquela cruz que só pertence a Ele.
E quando negamos a salvação única em Jesus e a procuramos em outra pessoa que não seja Ele, estamos colocando esta pessoa no lugar de Jesus naquela cruz que só pertence a Ele. Se assim fizermos morreremos em nossos pecados, porque a Bíblia diz que:
23  ... o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor (Rm 6.23).
Na cruz central, Jesus Cristo morria como oferta pelo pecado. Na cruz da direita, um ladrão morria para o pecado. E na cruz da esquerda, outro ladrão morria, mas em seus pecados.
Conclusão
No Calvário, onde havia três cruzes, em duas delas dois homens lutavam em seu interior. Um aceitou a salvação, entregando-se a Jesus. Outro, por sua vez, rejeitou a Cristo e perdeu a Salvação que lhe era oferecida. Aceite Jesus agora. Você não sabe se terá outra chance de fazer isso. Amanhã pode ser tarde demais.
Cada um de nós é colocado hoje numa posição de escolha: ou aceitamos a salvação que nos é oferecida em Cristo ou rejeitamos este oferecimento. Tudo depende de nossa escolha, e sobre nós repousam as consequências desta escolha, a vida eterna ou a perdição eterna.
Que hoje, Deus nos ajude a escolhermos a Cristo agora mesmo para podermos herdar a vida eterna, porque ainda é tempo de salvação, Jesus ainda não fechou a porta da Sua Igreja e todos são bem vindos, todos podem ser salvos, basta apenas a decisão pessoal de cada um.
Nunca foi tão urgente tomarmos esta decisão. Se observarmos os acontecimentos atuais à luz da Bíblia, vamos entender claramente que Jesus está às portas. O mundo está em confusão, o mundo está em guerras, o mundo está em desequilíbrio ecológico. Também a fome é realidade em grande parte do mundo. A violência tem imperado veementemente, o homem está cada vez mais afastado de Deus, a falta de amor entre as pessoas é crescente, a apostasia está em alta, está na moda. E muito outros fatores que presenciamos cada dia mostram que estamos próximos do fim.
Podemos ter a certeza de que o próximo acontecimento será a volta gloriosa de Jesus para buscar a sua Igreja. Em breve ouviremos o toque da última trombeta, e veremos o sinal do Filho do Homem vindo nas nuvens do céu com poder e grande glória. Este será o acontecimento que todos devemos aguardar. Para que esse dia seja glorioso e de alegria, e não de horror, é imprescindível estarmos preparados, revestidos das armas da luz, como diz a Palavra de Deus, com as nossas lâmpadas bem acesas. Então, poderemos estufar o peito e dizer: Maranata! Vem, Senhor Jesus! A cruz de Cristo quer hoje salvar a sua vida! Que Deus te abençoe! Amém!

Luiz Lobianco
luizlobianco@hotmail.com


Bibliografia:
Bíblia Sagrada. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. Sociedade Bíblica do Brasil.